Gabriela Silva do Nascimento
e Aline Marcelino de Arruda Camargo
Tinha 13 anos quando li pela primeira vez li as Alices de Lewis Carroll e, desde então, tento encontrar a toca do Coelho Branco na intenção de ir morar lá dentro do País das Maravilhas. Como, até agora, não consegui encontrar, me contento em apreciar e estudar sobre essa brilhante e eterna obra. Foi para isso que eu e minha amiga, Aline Marcelino, nos juntamos em 2011 e decidimos fazer como trabalho de conclusão do curso de jornalismo, na Faculdade Cásper Líbero, sob orientação da professora Helena Jacob, o almanaque Alice Disse: As obras de Lewis Carroll e como suas histórias e personagens influenciaram o mundo. É um tema gigantesco e um objetivo megalomaníaco, eu sei, mas a nossa intenção nunca foi dar conta de todo o universo de Alice (porque seria impossível), sim compilar informações para que as pessoas possam entender e apreciar ainda mais esse clássico da literatura ocidental, que se tornou também um símbolo da cultura pop mundial.
Todos os anos surgem novas Alice (a história) em filmes, seriados, livros, músicas, jogos de videogames, histórias em quadrinhos. E também surgem novas Alices (a personagem), sejam morenas, louras, crianças, adultas, de azul, de vermelho, de amarelo, sonhadoras, curiosas ou simplesmente malucas. Também não se pode esquecer que os livros de Lewis Carroll se tornaram figurinha fácil em produtos, como brinquedos, doces, roupas, eletrônicos, joias e qualquer outra coisa que você puder imaginar. Mas não é só em produtos, serviços, filmes, livros e outros meios da cultura pop que Alice sobrevive. No meio acadêmico, todos os anos são feitas pesquisas que relacionam a obra de Carroll com as mais diferentes áreas do conhecimento: os livros já foram estudados por matemáticos, psicólogos, lingüistas, historiadores e intelectuais do mundo inteiro. Nossa ideia foi criar um livro que desse aos seus leitores as informações mais relevantes e curiosas para, assim, o melhor entendimento e os fazer gostar ainda mais das histórias de Alice.
Depois de um interminável trabalho de pesquisa e de um doloroso processo de edição, terminamos com um almanaque dividido em três partes: a primeira conta como o mundo influenciou a obra de Lewis Carroll, mostrando de que forma a vida do autor, de sua musa Alice Liddell e os costumes da Inglaterra Vitoriana foram essenciais para a construção das histórias; a segunda é centrada nos próprios livros, e procura contar as curiosidades mais relevantes e inusitadas sobre os episódios, temas e personagens da obra; e, por fim, o almanaque faz o caminho inverso do início e mostra como a obra influenciou o mundo, examinando examinando as diferentes adaptações e inspirações do trabalho de Lewis Carroll em filmes, livros, músicas, jogos de videogame, doces, brinquedos, roupas, lojas, serviços, jóias, etc.
Procuramos colocar no almanaque desde as referências mais conhecidas (como a animação de 1951 dos estúdios Walt Disney), até aquelas que quase se perderam ao longo dos anos (como o primeiro filme adaptado da obra de Lewis Carroll, lançado em 1903). Ainda assim, a quantidade de informação encontrava era inesgotável e até entre o que consideramos mais importante, foi preciso editar ainda mais para que o livro ficasse conciso e equilibrado. No fim, acreditamos ter feito uma obra que abrange os pontos mais importantes e curiosos de toda a trajetória das Alices, desde sua concepção até sua transformação em ícone da cultura pop. Tudo diagramado na intenção de ser tão criativo e estimulante quanto os universos criados por Lewis Carroll.
Ao fim de toda a nossa jornada pelo País das Maravilhas e do outro lado do espelho, concluímos que é impossível não ficar pelo menos um pouquinho maluco depois de entrar em contato com todas as maravilhas criadas ou influenciadas por Lewis Carroll. O biógrafo Morton N. Cohen escreveu que descrever o talento de Carroll como “excepcional” é insuficiente, e isso é um motivos mais claros do porquê de Alice estar, ainda hoje, tão viva e relevante quanto na época em que foi criada: não é uma questão de imaginação ou de criatividade, mas de magia.

colagens: Paula Silva do Nascimento













