1 September 2009

Sobre as edições brasileiras de Alice no País das Maravilhas



Fonte:



Alice no Brasil - traduções, Adaptações e Ilustrações. 
(dissertação de mestrado)
São Paulo, 2003.


"Esta dissertação aborda nove traduções para o português do clássico Alice in Wonderland (1865) de Lewis Carroll. Como a obra foi adaptada de várias formas e para diversos públicos no Brasil, o estudo concentra-se em alguns procedimentos mais comuns observados em suas traduções. Serão considerados os trocadilhos, poemas e as ilustrações. Essas últimas serão visualizadas enquanto formas de tradução, e como tais, propensas a intervenções do ilustrador, assim como os textos por parte dos tradutores."





Alice foi publicada pela primeira vez no Brasil em 1931, pela Cia. Editora Nacional, com tradução de Monteiro Lobato. [1] Essa não era, porém, a única edição do livro no Período. O Catálogo do Instituto Nacional do Livro dá notícia de outras duas: a de Pepita de Leão (1934), [2] lançada pela Globo de Porto Alegre; e a de Oliveira Ribeiro Netto, [3] pela editora do Brasil, sem data, mas supostamente anterior à publicação do catálogo, em 1955. Também Warren Weaver, em sua pesquisa das edições da obra até 1960, relaciona as Alices brasileiras de Maria Tereza Cunha de Giacomo (s.d.) pela Melhoramentos [4]; uma outra edição do texto de Lobato pela Brasiliense (1960) [5]; uma da Vecchi, do Rio de Janeiro, (1944) e sem nome do tradutor [6]; e uma tradução de A. De Morais (s.d.), editada em Lisboa, pela J.R. Torres Co. [7]

[1]

AVENTURAS DE ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução e adaptação de Monteiro Lobato.
Ilustrações de A.L Bowley. (Inglaterra)
São Paulo: Comapanhia Editora Nacional, 1944.(7a edição) (Primeira edição de 1931)

[2]

ALICE NA TERRA DAS MARAVILHAS
Tradução de Pepita de Leão.
Ilustrações de João Fahrion. (Brasil)
Porto Alegre: Edição da livraria do Globo, 1947.
(1a. edição: 1934)

[3]

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução e adaptação de Oliveira Ribeiro Netto.
Ilustrações de Paulo Amaral. (Brasil)
São Paulo, Editora do Brasil, s/d.

[4]

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Adaptação de Maria Thereza Cunha de Giacomo.
Ilustrações de Oswaldo Storni. (Brasil)
São Paulo: Editora Melhoramentos, 1966. (4a edição)

[5]

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução e adaptação de Monteiro Lobato.
Ilustraçõoes de A.L Bowley. (Inglaterra)
São Paulo: Brasiliense, 1960.(9a edição)

[6]

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução de Paulo Nasser
Ilustração de Ramón Hespanha
Rio de Janeiro: Editôra Vecchi, 1964.

[7]
ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução A. de Morais.
Lisboa: J. R. Torres Co.

As edições elaboradas fora do Brasil eram comuns no início do século XX. Com a indústria editorial apenas começando a desenvolver-se, muitas obras eram traduzidas e editadas na França ou em Portugal e enviadas ao Brasil. Assim outras Alices portuguesas, como as elaboradas por Henrique Marques Júnior (1946) [8] e Leyguarda Ferreira (1946) [9], ambas publicadas em Lisboa, pela Romano Torres, estavam por aqui também.

[8]
ALICE NO PAIS DAS MARAVILHAS.
Tradução de Henrique Marques Júnior
Ilustrações de Amorim.
Lisboa : Romano Torres, 1946.

[9]
ALICE NO MUNDO DO ESPELHO.
Tradução de Leyguarda Ferreira.
Lisboa : Romano Torres, 1946.

O maior florescimento das publicações, entretanto, se deu a partir da segunda metade do século XX. Em 1970, a Cia. Editora Nacional lançou uma edição comemorativa de seu cinqüentenário, com texto de Regina Stella Moreira Gomes, supervisionado por Maria Thereza Cunha de Giácomo [10]; e a primeira edição integral de Alice surgiu também na década de 70, pela Summus editorial, com tradução de Sebastião Uchôa Leite e alguns poemas de Augusto de Campos [11].

[10]


ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução de Regina Stella Moreira Gomes
Supervisão de Thereza Cunha de Giácomo
São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1970.


[11]

AVENTURAS DE ALICE
Tradução e organização de Sebastião Uchôa Leite.
Ilustrações originais de Lewis Carroll e John Tenniel (Inglaterra).
São Paulo: Summus, 1980. (3a edição)

A partir daí as Alices não pararam mais de surgir: contam-se as versões da Brasília/Rio (1976), com texto de Fernando de Mello, José Vaz Pereira e Manuel João Gomes [12]; a da Brasil/América (1983), adaptada por Naufer [13]; e as mais comumente encontradas, as edições de Círculo do Livro (1982), de Sebastião Uchôa Leite [14]; Loyola (1995), de Bárbara Theoto Lambert [15]; Ática (1997), de Ana Maria Machado [16]; LPM (1998), de Rosaura Eichenberg [17]; Itatiaia (1999), de Eugênio Amado [18]; Sol (2a. Ed. 2000) de Isabel de Lorenzo [19]; Martins Fontes (2001), de Tony Ross e Ricardo Gouveia [20]; Jorge Zahar (2002), de Maria Luiza X. de A. Borges [21].

[12]

AVENTURAS DE ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Interpretadas por Fernando de Mello.
Ilustrações originais de John Tenniel. (Inglaterra)
Tradução de José Vaz Pereira e Manuel João Gomes.
Rio de Janeiro: Editora Brasília, 1976.

[13]

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Adaptação de Naufer.
Ilustrador anônimo.
Coleção Samba-lelê.
Rio de Janeiro: Editora Brasil-América, 1982.

[14]

AVENTURAS DE ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução cedida por Sebastião Uchôa Leite.
Ilustrações de Claudia Scatamacchia. (Brasil)
São Paulo: Círculo do livro S.A., 1982.

[15]

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução de Barbara Theoto Lambert.
Ilustrações de Eric Kincaid. (Inglaterra)
São Paulo: Edições Loyola, 1995.

[16]

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução de Ana Maria Machado.
Ilustrações de Jô Oliveira. (Brasil)
São Paulo: Editora Ática, 1997.

[17]

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução de Rosaura Eichenberg.
Ilustrações originais de John Tenniel. (Inglaterra)
Porto Alegre: L&PM, 1998. ( 1a edição)

[18]

LEWIS CARROLL - OBRAS ESCOLHIDAS, 2V.
Tradução de Eugênio Amado.
Capa de Claudio Martins.
Ilustrações originais de John Tenniel (Inglaterra),
Harry Furniss (Inglaterra) e A.B. Frost (Inglaterra).
Belo Horizonte: Itatiaia, 1999.

[19]

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução, introdução e notas: Isabel de Lorenzo
Tradução dos poemas: Nelson Ascher.
Ilustrações de Peter Newell. | Capa sobre imagem de Sigmar Polke.
São Paulo: Sol, 2000.

[20]

AVENTURAS DE ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução de Ricardo Gouveia.
Condensado e Ilustrado por Tony Ross. (Inglaterra)
São Paulo: WMF Matins Fontes, 2001.

[21]

ALICE: EDIÇÃO COMENTADA
Originais: Annotated Alice, 1960; More Annotated Alice, 1990;
The Annotated Alice: the definitive Edition, 2002.
Tradução de Maria Luiza de X. Borges. Introdução e notas de Martin Gardner.
Ilustrações originais de John Tenniel (Inglaterra).
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.

Há ainda no Brasil uma infinidade de publicações para crianças [22], variando desde os livros de gravuras e de histórias, como a Alice de Tatiana Belinky (Nova Cultural, 1987) [23], ou a “História de Lewis Carroll contada por Rui Castro e desenhada por LauraBeatriz”, da Companhia das Letrinhas (1992) [24], passando pelas inúmeras descendentes da Alice de Disney, até as publicações em quadrinhos como a de Ruth Rocha (1993) da Melhoramentos [25]. Existem também as traduções indiretas, realizadas a partir de versões em outras línguas, sendo exemplos do tipo, os textos de Liliane Robichez Ramos da versão argentina publicada pela Codex, em 1946 [27] e de Alberto Maduar (Ática, 4a. Ed. 1997), a partir da versão francesa [28].

[22]

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Adaptação e ilustração anônimos.
Coleção Miniclássicos todo livro.
Blumenau: Todolivro, 2007.



ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Tradução de Índigo.
Ilustrações de Eloar Guazzelli. (Brazil)
Coleção Recontar.
Editora Escala educacional, 2006.



ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Adaptação de Edy Lima.
Ilustrações de Elizabeth Teixeira.
Coleção Reencontro Literatura.
São Paulo: Scipione, 2005.



ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Coleção Clássicos Infantis.
São Paulo: Editora Paulinas, 2005.



ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Adaptação de Nilson José Machado.
Ilustrações de Dorotéa Vale (Brasil).
Coleção Reencontro Infantil.
São Paulo: Scipione, 2002.

Entre outros.

[23]

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Adaptação de Tatiana Belinky
Rio de Janeiro: Nova Cultural, 1987


[24]

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Contada por Rui Castro.
Ilustrações de Laurabeatriz. (Brasil)
São Paulo: Companhia das letrinhas, 1992.


[25]

VERSÕES DISNEY



ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Adaptação de Isabella Marcatti.
Clássicos Disney para Ler e Ouvir.São Paulo: Editora Abril, 2009.



Adaptação de Cristina Martins.
Coleção Mini Disney.
São Paulo: Melhoramentos, 1997.


ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS em quadrinhos.
Adaptação de Ruth Rocha.
São Paulo: Melhoramentos, 1993.


ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Coleção Clássicos Disney.
São Paulo: Editora Nova Cultural, 1986.


ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS em quadrinhos.
Coleção Clássicos Walt Disney.
São Paulo: Editora Abril, s/d.

[27]
ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Editora Codex, 1946.

Exceto pela tradução de Lobato, comumente encontrada em bibliotecas e livrarias e que continua a ser editada – a partir de 1972 a Abril Cultural ficou a cargo do texto, sob licença da Brasiliense, para a coleção “Clássicos da literatura juvenil” e em 2002, a Cia Editora Nacional lançou a 1a edição com o texto atualizado [28] - , as publicações até a década de 80 constituem-se raridades de sebos longuínquos, ficando geralmente restritas aos catálogos ou às estantes de colecionadores. Somente as edições mais atuais, especialmente posteriores à Summus, são mais facilmente encontradas e pode-se afirmar que possuem as mesma popularidade, quando não, a mesma prateleira das grandes livrarias.

[28]


ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS E ALICE NO PAÍS DO ESPELHO
Tradução e adaptação de Monteiro Lobato.
Ilustrações de Lila Figueiredo (Brasil).
São Paulo: Editora Abril Cultural, 1972. (2a edição)

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“Always in search of curious objects, broken toys, bits of things and traces of stories, Adriana Peliano stitches together monsters, desires and fairy tales. Her collages and assemblages are magical and multiple inventories, where logic is reinvented with new meanings and narratives, creating language games and dream labyrinths. Everything is transformed to tell new stories that dislocate our way of seeing, inviting the marvellous to visit our world.” “Sempre em busca de objetos curiosos, restos de brinquedos, cacos de coisas e rastros de estórias, Adriana Peliano costura monstros, desejos e contos de fadas. Suas colagens e assemblagens são inventários mágicos e múltiplos, onde a lógica do cotidiano é reinventada em novos sentidos e narrativas, criando jogos de linguagem e labirintos de sonhos. Tudo se transforma para contar novas estórias, abrindo portas para o maravilhoso.”