16 December 2014

Nova edição do JAGUADARTE


Fico feliz de apresentar essa nova edição do poema "Jaguadarte" pela editora Nhambiquara  que trás a amaravilhosa tradução de AUGUSTO DE CAMPOS e alicinantes ilustrações de RITA VIDAL.  


O poema original de Lewis Carroll - Jabberwocky - foi publicado na obra "Através do espelho e o que Alice encontrou lá" em 1871, mas sua enigmágica estrofe alicinógena foi criada muitos anos antes e publicada em uma das revistas que o autor criou para divertir a família (Mischmasch). A originalidade do poema e suas palavras valise que embrulham dois ou mais significados numa palavra só desbravou caminhos artísticos como um elogio à liberdade criadora e um convite ao jogo e à inesgotável aventura da linguagem. 


Em minha busca incessante pelas aparições, metamorfoses e epifanias de Alice nas diversas artes me defronto aqui com um presente de desaniversário. Experiências como essa nos levam para beber na fonte de alicinações que transbordam dos livros de Alice em sua potência criativa e transformadora. 
Em figuras e palavras, cores e texturas, ritmos e silêncios, sutilezas e invisíveis, enigmas e surpresas,  a viagem do leitor é também um desafio ao lugar comum, às fórmulas acomodadas e às frases feitas que nos habitam. "Bravooh! Bravarte!" 






Texto de divulgação:

Editora Nhambiquara lança tradução do Jaguadarte marcando a comemoração dos 150 anos da primeira edição do livro "Alice no País das Maravilhas".


"Em um trecho de Alice Através do Espelho, continuação do clássico Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, a personagem central da narrativa encontra-se com Humpty Dumpty, ou Homem-Ovo, uma curiosa criatura que tem por hábito jogar com as palavras e responder às perguntas da menina com frases ambíguas e trocadilhos.

Impressionada com a habilidade de Dumpty com as palavras, Alice pede a ele que lhe explique o sentido do Jaguadarte, um poema diferente, cheio de neologismos, que ela havia lido em um livro e que a intrigava justamente pela dificuldade de compreensão. Lançado em 1871, o texto, considerado um dos mais inventivos de Carroll, é um exercício livre de imaginação, cheio de frases com palavras-valise (com dois significados embrulhados numa palavra só), e em estilo totalmente nonsense que revolucionou a literatura feita para crianças e influenciou a estética modernista e o movimento surrealista.


Já traduzido para mais de 15 idiomas, o texto ganhará neste ano uma tradução em português feita pelo ensaísta e poeta concretista brasileiro Augusto de Campos. “Com o Jaguadarte, Carroll deu impulso a uma nova maneira, não-dicionarizada, não-institucional, de abordar a linguagem, no plano criativo, fornecendo-nos instrumentos sensíveis para a nossa percepção dentro da complexidade das relações entre mundo e mente humana”, explica Campos."


Era briluz….






 Rita Vidal


"Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!"


SOBRE AS ILUSTRAÇÕES


"Rita Vidal comenta o desafio em dar forma e cores ao famoso personagem criado por Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas.

No início deste ano, a artista plástica Rita Vidal recebeu uma proposta desafiadora: ilustrar o poema Jaguadarte, clássico do escritor Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas.

O desafio proposto tem relação direta com a construção da obra. Com linguagem nonsense, o livro é um convite à livre imaginação dos leitores (crianças e adultos) e, por conta disso, não descreve objetivamente nenhum personagem ou paisagem apresentados. “Mais do que as referências de Lewis Caroll, foi a tradução (do poeta concretista Augusto de Campos) que conduziu a criação de todos os personagens. Foi Campos que me contou que o Jaguadarte era um Jaguar de arte ou um jaguar-espadarte ou uma água com arte, e assim fomos”, relembra Rita.


Para dar forma ao universo fantástico proposto no livro e, principalmente, aos seus personagens, a artista utilizou inúmeros papéis (de texturas, cores e aspectos distintos), uma característica marcante em seus trabalhos de ilustração. “Busquei no início utilizar papéis que me trouxessem sensações do poema. Depois escolhi a cartela de cores que imaginava usar ali. Tem um bocado de papéis diferentes: papéis de parede, papéis de carta, e papéis artesanais japoneses. A escolha se dá pela necessidade de cada cena, de cada paisagem ou personagem”, explica.


A roupa do personagem Homenino, por exemplo, é toda feita de papéis japoneses, que, para a artista, traduziam bem a ideia visual de uma malha canelada de pijama usada na história pelo personagem. Além da tradução de Campos, a versão musicada do poema, feita por Arrigo Barnabé e cantada pela Tetê Espíndola, também contribuiu para a artista na criação das ilustrações. “Essa música ficou na minha cabeça assim que a ouvi - e ainda consigo ouvi-la quando olho pras ilustrações. Além da voz da Tetê, estridente, a música é toda vertiginosa, misteriosa, ‘espinhuda’, sensações que, espero ter conseguido trasmitir para as ilustrações”, analisa.


Composto por 16 ilustrações, o livro Jaguadarte será lançado pela editora Nhambiquara em novembro. A obra inicia as comemorações dos 150 anos de publicação da primeira edição de Alice no País nas Maravilhas (que serão comemorados oficialmente em 2015)."





Rita Vidal

"Sorrelfiflando através da floresta,



Rita Vidal

e borbulia um riso louco."

SOBRE OS AUTORES


AUGUSTO DE CAMPOS Nascido em São Paulo, em 1931, poeta, tradutor, ensaísta, crítico de literatura e música. Em 1951, publicou o seu primeiro livro de poemas, O Rei Menos o Reino. Em 1952, com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, lançou a revista literária Noigandres, origem do Grupo Noigandres que iniciou o movimento internacional da Poesia Concreta no Brasil. Em 1956, participou da organização da Primeira Exposição Nacional de Arte Concreta (Artes Plásticas e Poesia), no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Sua obra veio a ser incluída, posteriormente, em muitas mostras, bem como em antologias internacionais como as históricas publicações Concrete Poetry: an International Anthology, organizada por Stephen Bann (London, 1967). A maioria dos seus poemas acha-se reunida em Viva Vaia, 1979, Despoesia (1994) e Não (com um CDR de seus Clip-Poemas), (2003). Outras obras importantes são Poemobiles (1974) e Caixa Preta (1975), coleções de poemas-objetos em colaboração com o artista plástico e designer Julio Plaza.


RITA VIDAL nasceu em Londrina (PR), em 1980. É ilustradora, artista plástica e professora. Já deu aula de criação no Centro Universitário SENAC no curso de moda e hoje em dia se dedica à criação de livros ilustrados e objetos de arte na Vila Pompeia, em São Paulo. É autora de Dix & Bisteca (Companhia das Letrinhas), 2013. Pela Editora Nhambiquara ilustrou o livro Sapucaya - A Grande Árvore (2010), de autoria de João Bosco de Sousa.


SOBRE A EDITORA NHAMBIQUARA

Concebida em 2008 pelo escritor, ator, psicólogo e contador de histórias João Bosco Sousa, a Nhambiquara, que no Tupi-Guarani quer dizer “fala de gente inteligente”, tem como objetivo produzir livros e outros materiais literários de boa qualidade, acessíveis, que possam contribuir com a produção do conhecimento da cultura brasileira e a inclusão social. Desde o início de suas atividades, a editora já publicou o livro Um Gole D’Agua pra Refrescar a Memória, crônicas de sua autoria, e Toque de Letra, um livro de poesia e letras de música de Paulo César de Carvalho, professor do sistema Anglo de Ensino e vocalista da banda Os Babilaques.






"Foge da ave Felfel, meu filho, e corre
do frumioso Babassurra!"



JAGUADARTE

tradução Augusto de Campos.

Era briluz. As lesmolisas touvas 
roldavam e reviam nos gramilvos. 
Estavam mimsicais as pintalouvas, 
E os momirratos davam grilvos. 

"Foge do Jaguadarte, o que não morre! 
Garra que agarra, bocarra que urra! 
Foge da ave Fefel, meu filho, e corre 
Do frumioso Babassura!" 

Ele arrancou sua espada vorpal 
e foi atras do inimigo do Homundo. 
Na árvore Tamtam ele afinal 
Parou, um dia, sonilundo. 

E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo, 
Sorrelfiflando atraves da floresta, 
E borbulia um riso louco! 

Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta 
Vai-vem, vem-vai, para tras, para diante! 
Cabeca fere, corta e, fera morta, 
Ei-lo que volta galunfante. 

"Pois entao tu mataste o Jaguadarte! 
Vem aos meus braços, homenino meu! 
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!" 
Ele se ria jubileu. 

Era briluz. As lesmolisas touvas 
Roldavam e relviam nos gramilvos. 
Estavam mimsicais as pintalouvas, 
E os momirratos davam grilvos.


Editora

Comunicação


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por Tatiana Franca Rodrigues



Tradução de "The Nursery Alice" por Maurício Coelho




"The Nursery Alice" é uma adaptação de "Alice no País das Maravilhas" que o próprio Lewis Carroll escreveu para crianças “de nenhum a cinco anos”, como ele mesmo descreve. Foi publicado pela primeira vez em 1890, com ilustrações coloridas de Sir John Tenniel, ilustrador original das aventuras de Alice. O texto é mais simples do que o original mas apresenta algumas novidades curiosas como o fato de ter sido escrito para ser contado, fazendo com que o autor dialogue com o leitor e comente as figuras da própria obra. "De que serve um livro sem figuras e nem diálogos?" Perguntou Alice...

A obra foi recentemente lançada em português pela editora Chiado e traduzida por Maurício Coelho, que me concedeu essa entrevista. Um livro original e muito interessante para os apreciadores de Alice de nenhum a nenhum anos.



Entrevista exclusiva com o tradutor Maurício Coelho.


1 - Qual a importância de Alice na sua vida? Como você conheceu a estória?

Sempre gostei de Alice, desde pequeno. Conheci pelo filme da Disney que vivia assistindo quando eu era pequeno. Depois que cresci, comecei a ler os livros de Alice e sempre me interessando mais sobre a estória e sobre a vida do autor, continuei sendo fã dos livros. "The Nursery Alice" conheci através de uma das cartas que o Carroll mandou para uma de suas amiguinhas, falando da adaptação que iria fazer de Alice.

2 - Conte um pouco a história desse projeto de traduzir "The Nursery Alice".
Quais foram os seus principais desafios? Que outras traduções da obra existem em português?

Acredito que os desafios foram traduzir os dois poemas que antecedem a estória. No segundo poema, fiz uma tradução\adaptação para que rimasse em português também igual ao original, além disso, um pouco da introdução feita por Carroll e também do trocadilho que ele faz, porém o trabalho maior mesmo foi revisar a obra. De início, pensei que não havia nenhuma, mas descobri que há uma tradução intitulada "Alice Para Crianças" da Clélia Regina, no entanto, a minha tradução é integral. 

3 - Quais as diferenças em relação à "Alice no País das Maravilhas" mais te chamaram a atenção?

Uma das mudanças interessantes é o uso de palavras itálicas que o Carroll usa para dar ênfase em uma palavra, além de a própria maneira como ele conta a estória. Como ele mesmo fala, a estória deve ser contada e não lida. O que achei bastante interessante foi a interação que ele faz das imagens com o texto. Muito didático.

4 - É curioso o fato de que esse livro não aparece em muitas obras Completas de Lewis Carroll.
Parece ser considerada por muitos uma obra menor, que ao adaptar simplifica o original reduzindo a sua força. O que você acha disso?

Isso é verdade, inclusive possuo livro Complete Illustrated Lewis Carroll da Wordsworth Library Collection e não há essa estória. Acredito que as duas obras são diferentes e que cada obra tem o seu valor. Essa obra deveria ser mais divulgada, além de inserirem ela nos seus trabalhos completos. Apesar de ter sido para crianças, mas acredito que muitos adultos de Carroll com certeza irão ler esse livro.

5 - Porque o título foi traduzido por "Cuidadosa Alice"? 
Isso não delimita a personalidade de uma personagem em constante mudança?

A tradução do título foi por causa do capítulo em que Alice “cuida” do bebê-porco um outro título que pensei, apenas posteriormente foi de simplesmente A Pequena Alice. Não acredito que isso delimita a personalidade dessa personagem, mas gostaria de opiniões a respeito disso. Agora, eu faço uma pergunta, qual o título ficaria melhor traduzido\adaptado?

- Poderia ser "Era uma vez Alice" por exemplo,  já que o livro começa com Era uma vez. 
Ou mesmo "o sonho de Alice" já que isso é contado na primeira página e é bem poético e combina muito com a capa original que eu amo. Mas o melhor a meu ver seria Alice no Jardim da Infância.

6 - Aonde o público pode encontrar o livro?

O livro pode ser encontrado no site da própria Chiado, mas também pode ser adquirido direto comigo, já possuo uma parte da tiragem para a venda.

7 - você pode mandar uma apresentação breve de que é você?

Nasci em Belém do Pará, em 1992. Sou formado em inglês pelo CCBEU e graduando em Licenciatura em Ciências Biológicas pelo CESUPA. Essa é a minha primeira tradução.  


Obra original com capa de Gertrude Thomsom.



6 February 2014

Alice's Bloody Adventures in Wonderland by Raul Alberto Contreras and illustrations by Tweedle Guns






"A new demented modern interpretation of Alice's Adventures in Wonderland. With illustrations by Los Angeles based street artist Tweedle Guns. The White Rabbit has killed Alice's Sister and cat. Sending her on a revenge quest down the rabbit hole. Alice finds herself a pawn in a deadly battle for supremacy of Wonderland."




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 Book Review

Alice’s Bloody Adventures in Wonderland:
Written by Christina Brookman, Fanboy Comics Contributor



“When the going gets weird, the weird turn pro.” 
Alice

"When I first heard the title Alice’s Bloody Adventures in Wonderland, I was ecstatic, eagerly anticipating a stronger, less innocent/naive Alice, a role model of strength and intelligence for young girls like I associate with Katniss from The Hunger Games. But, this is not that adaptation, and, in retrospect, it would dishonor Lewis Carroll’s original piece to make Alice a heroine in that sense. Raul Alberto Contreras has created a world that resembles a hybrid of Quentin Tarantino’s sometimes seemingly unnecessary violence and Judd Apatow’s crass humor . . . and I must admit, I kind of like it.

We have all had those nightmares where we are lost or trapped in our dreams and in real life. In Alice’s Bloody Adventures in Wonderland, Alice is not a girl but a potty mouthed, sexually active goth/Steampunk teenager, and she makes sure to use her sexuality to her advantage. Her adventure is the adventure we all sometimes wish we had - the things we want to say and do to our “demons” but hold back out of fear or etiquette. You don’t start off respecting and identifying with Alice, you read in wonder, amusement, befuddlement, and horror as she stumbles mistake by mistake in a journey of self discovery, saying exactly what she thinks and doing exactly what she wants. She is not role model, but she reminds me of so many teenagers I know . . . and bits of myself. I mean, haven’t you ever wanted to physically squash a bully or yell at a boss, co-worker, or ex to “go stick the peppermill up your cooch and grind!”? And, in all seriousness, the debate over Lewis Carroll’s use of opiates, pedophilic tendencies, epilepsy, and sleep arousal disorders makes Raul Alberto Contreras’ adaptation a more honest, modern twist. This story is twisted, perverse, and magical . . . always was and will continue to be for generations to come. One could argue all day about why and how the originals were created. To entertain childhood friends? As a commentary or reflection of drug use at the time? But, in this case, it doesn’t matter. Lewis Carroll’s version was written like a fairytale where every reader and generation will interpret based on his or her own life and culture. Alice’s Bloody Adventures in Wonderland, stands on its own with a distinct/direct concept influenced from a collection of classic tales. There is no room for interpretation – this is an action/fantasy novel, not a fairytale." continue






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6 September 2013

Illustrating Alice

What is the use of a book without pictures and conversations? 
thought Alice to herself.

Eu recentemente escrevi um capítulo para um lindo livro sobre o universo de Alices que transbordam em múltiplas possibilidades expressivas na ilustração. O livro inclui figuras maravilhosas de várias partes do mundo, em artigos escritos por acadêmicos, colecionadores, ilustradores e artistas alicinantes. Vale muito a pena conferir. Existe também uma edição limitada que vem com gravuras assinadas por artistas como Jan Svankmajer e Alain Gauthier, Joanna Concejo e De Loss McGraw, todos incríveis.

No capítulo que escrevi sobre Alice na ilustração brasileira, citei inúmeros ilustradores, todos os que conhecia e apresentei mais detidamente os artistas a seguir.

I recently wrote a chapter for one amazing book about Alice's universe of possibilities in illustration. There are many wonderful illustrations and authors, including scholars, collectors and artists. It was an honour to participate writing a chapter about Alice in Brazilian illustration, including some contemporary artists and beginning with our treasure which is the presence of Alice in the books of the writer Monteiro Lobato, the first to translate Alice in Brazil.

Artists included:

Claudia Scatamacchia
Salmo Dansa
Darcy Penteado 
Jô Oliveira
Helenbar
Adriana Peliano
Luiz Zerbini

know more about the presence of Alice in the work of Monteiro Lobato here e aqui








27 March 2013

ALICE POR ENQUANTO


Adriana Peliano

Jan Svankmajer

John Tenniel


Num enerdia de verão, aos 7 anos de idade, olhei através do espelho de Alice. Encontrei uma menina enigmágica que logo me perguntou: Quem é você? Ela não aceitou meu nome como resposta: assim é como você é chamada, retrucou. De súbito nossos espelhos se refletiram entre as curvas do espaço-tempo como um myse en abyme. Naquele instante perdi meu nome no espelho. Hoje busco novas Alices em aventuras labirínticas atravessando múltiplas artes. Me reinvento em Ali-se e seus tantos nomes que se expandem em uma inesgotável criação de eus: Alis, A lys, Alyssos, Alastos, Allistos, Alussas, Alions, entre outras crises e devires: reino das alicinações.




Kenneth Rougeau


Com Alices reviajo no país dos espelhos por caminhos espiralados e mergulho numa floresta misteriosa onde se perde e se encontra essa menina rompiecabezas,  plurilíngua, borboletra alicenógena, proliflora desejos em casulos oníricos, fantasmagorias deliram psicodelícias. Amaravilhas. Vislumbro um rio de florosofias errantes, espelhos líquidos, clepsidras lúdicas, Lúcia no céu com diamantes. Sonhos de Escher dançam geometrias impossíveis. Cabelos revoam anéis de Moebius.




Trevor Brown


Aliceoscópios são uma singular criação catóptrica, uma arte de conceber engenhos especulares que criam visões insólitas, perspectivas paradoxais, geografias exdruxulistas, cartografias escalafobéticas. Num golpe de máquina o espelho mutante de Alice viaja através de tempos loucos e sonhos quânticos em uma inesgotável “sede do infinito”. Sua experimentação exige constante movimento, um amor pelo estranho e indomesticável, libertando armadilhas do conhecido. Alikezan! Alices extrapolam saberes cômodos e estagnados e vão viver novas aventuras desafiando fontes de desejos e desfiando teias e constelações em novos feixes de fabulações. CURIOUSER and curiouser! Estou me esticando agora como o maior telescópio jamais visto. Adeus pés!


René Magritte


Surrealices nos convidam a atravessar os espelhos de Magritte, janelas para o invisível, sonhos dentro de sonhos, inclassificáveis confabulando atrás dos pensamentos. Nos ‘livros de Próspero’ de Peter Greenaway, um dos vinte e quatro livros é composto por páginas de diferentes espécies de espelhos. Cada página produz um reflexo metamórfico devolvendo inesgotáveis imagens de Alices quem somos. Sua leitura se faz nascente de fluxos cósmicos de criação de sentidos, mágica pulsante de investigação de si-m. Monstros do espelho, uni-vos!



Michele Lapointe


Alice foi a heroína vitoriana de um estrambólico e feraz livro de histórias infantis. Viajou para a Disneylândia e foi capturada em ondas de colonização de sonhos. Mergulhou em habit roles e num fluxo rebelde, irradiou wanderlands. Hoje respira novos artes em jogos de ser o não ser. Eu... eu... nem eu mesmo sei, senhora, nesse momento ... eu ... enfim, ei quem eu era, quando me levantei hoje de manhã, mas acho que já me transformei várias vezes desde então.







Em diferentes encarnações novas Alices não buscam reproduzir em imagens o que está escrito nos livros, mas de viajar em suas veias e teias, entre mergulhos, travessias e cogumelias. Inúmeras alicinações podem ser criadas desvairando em paradoxos, línguas inventadas, desejos nômades, metamorfoses sem cabeças, sonhos dentro de sonhos, caminhos erráticos, risos loucos pairando no ar, desloucamentes. Ao invés da pergunta: quem é Alice, hoje desdobram caminhos para quem Alice pode tornar-se...





Adriana Peliano


Na travessia dos mil anos o espelho de Alice explodiu em milhares de pedaços, proliferando no imaginário coletivo novas meta-alices numa ampulheta magicósmica, aliceoscópio de alicinações. Nesse universo de mundos possíveis, procuram-se artistas movidos pelo desejo de rebelar os modelos alienados da menina e suas viagens cem sentidos. Hoje extrapolam Alices que entorpecem a imaginação e se desdobram em estereótipos que aprisionam e banalidades que insistem em empobrecer a vida e a arte. Em suas desventuras, exércitos de Alices bebem da garrafa escrito “clichês”. Mas Alice had got so much into the way of expecting nothing but out-of-the-way things to happen, that it seemed quite dull and stupid for life to go on in the common way.”



Elena Kalis


O país das maravilhas e o país do espelho podem estimular o encontro com o desconhecido, a incerteza e o mistério. Jardins de alicismos buscam o que é inexprimível pela palavra, o invisível, jorrando possibilidades inesgotáveis que habitam nas margens e entrelinhas. Menina caleidoscópio, jogo de reflexos múltiplos e simultâneos, fragmentos que cruzam monstrologias e alimentam nossos rios, riscos e risos. Alice nos convida a mergulharmos no poço profundo e atravessar o espelho desafiando as loucuras que nos atravessam. Como escreveu Paulo Mendes Campos em carta para sua filha Maria da Graça: Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.





 Yayoi Kusama


“As aventuras de Alice dentro da toca do coelho ou através do espelho encoraja a procurarmos outras brechas para penetrarmos no maravilhoso.” 



Pierre Mabille




Frédéric  Delanglade


"O artista terá, tal como Alice no país das maravilhas, que atravessar o espelho da retina para alcançar uma dimensão mais profunda."


Marcel Duchamp 






Alain Gauthier






"Com a prudência que lhe confere a sua inteligência matemática e o seu sentido de humor Lewis Carroll escolheu a barca do sonho para atravessar mais confortavelmente o espelho dos olhos de Alice."



Frédéric Delanglade






Margarita Prachatika



“lewis carroll olhou através do espelho e encontrou uma espécie de espaço-tempo que é o modo normal do homem eletrônico. antes de einstein, carroll já havia penetrado o universo ultrassofisticado da relatividade. cada momento, para carroll, tinha o seu próprio espaço e o seu próprio tempo. Alice cria o seu próprio espaço e tempo."

Marshall Mcluhan  



Hajime Sawatari

"Tudo quanto possuímos de poético e também de absurdo se apresenta nos livros de Alice. Ao descer pela toca do coelho, Alice passa a habitar – como quando atravessa o espelho – um pais diferente do conhecido, como quando fechamos os olhos e nos percorremos. As surpresas despontam de todos os lados. Quem somos, afinal?"

Cecília Meirelles





Alice por enquanto é o mergulho e a travessia. 
Viajante da coleção de eus da especialice Adriana Peliano. Menina Sonho.

Adriana Peliano é uma Alice de renascimento, Rainha e fundadora da Sociedade Lewis Carroll do Brasil, que ainda não sabe quem é Alice e por isso não se cansa de alicinar em suas buscas cosmicômicas. 




artigo publicado originalmente no site FORA DE MIM.

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“Always in search of curious objects, broken toys, bits of things and traces of stories, Adriana Peliano stitches together monsters, desires and fairy tales. Her collages and assemblages are magical and multiple inventories, where logic is reinvented with new meanings and narratives, creating language games and dream labyrinths. Everything is transformed to tell new stories that dislocate our way of seeing, inviting the marvellous to visit our world.” “Sempre em busca de objetos curiosos, restos de brinquedos, cacos de coisas e rastros de estórias, Adriana Peliano costura monstros, desejos e contos de fadas. Suas colagens e assemblagens são inventários mágicos e múltiplos, onde a lógica do cotidiano é reinventada em novos sentidos e narrativas, criando jogos de linguagem e labirintos de sonhos. Tudo se transforma para contar novas estórias, abrindo portas para o maravilhoso.”